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quarta-feira, 14 de junho de 2017
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Vida de Borboleta
Série: Redações
O Livro dos Espíritos
Autor do livro: Allan Kardec
Cap VI: Da vida espírita
Olá galerinha do bem e do mal, voando por aqui e por ali. Tiremos os pés do chão dessa vez e embarquemos nessa viagem astral...
Recordam-se do alvorecer de uma realidade
indescritivelmente fantástica? A transformação da crisálida, passando a ser
bela borboleta? Em caso negativo, convido-os a ler o texto: “A Crisálida”.
Abrir os olhos numa dimensão extrafísica pode ser uma experiência
aterrorizante, confusa ou reconfortante. Deparar-se com entidades estranhas,
disformes, sombrias. Alegrar-se, ao vislumbrar faces conhecidas, amigos e
mentores espirituais. São duas sortes distintas, consequências de nosso
proceder no mundo físico.
Abrir os
olhos, talvez, não seja o termo adequado, haja vista a inexistência de órgãos
sensoriais específicos no corpo perispiritual. Todo o ser ouve, vê, sente,
independente do ar ou luz. Nós próprios somos centelhas tão mais cintilantes
quanto maior for nossa depuração. O fluído cósmico serve de veículo para
transmissão do pensamento tal qual o ar o é dos sons. Sensações de fome, frio,
calor e sede podem permanecer em espíritos inferiores, ainda apegados à
matéria, ignorantes a respeito das questões espirituais e morais.
De modo
geral, nós sabíamos a que gênero de provas estaríamos submetidos durante a
temporada terrena. Isso por nós mesmos termos escolhido aquele gênero, com
vistas no progresso, na felicidade. Deus nos faculta essa escolha com a
finalidade de sermos mais e mais responsáveis por nosso caminhar, no entanto,
espíritos ainda muito jovens ou rebeldes são constrangidos a sofrer esta ou
aquela prova de acordo às suas capacidades ou infrações cometidas.
Levando em
conta que a maior parte da população terrestre seria composta de espíritos
inferiores, independente de nacionalidades, cores, religiões ou condições
socioeconômicas, depreende-se que a sorte dos terráqueos, após a morte, não
seja das melhores. Contudo, a questão é por demais complexa. Existem diversos
graus de inferioridade assim como diversos são os setores da vida humana:
família, amigos, trabalho, indivíduo, sociedade etc. Aqueles que souberam criar
verdadeiros laços fraternos, além de corrigir seus erros ou parte deles, gozam
de uma assistência especial, após o desencarne. Estes são encaminhados para
cidades-hospital, exemplificadas no filme “Nosso Lar”, para sua recuperação. Afinal,
apesar dos seus méritos, ainda estão distantes da perfeição. Já os espíritos
que viveram afogados no egoísmo encontram uma recepção pouco amistosa de outros
semelhantes a ele, experienciando terríveis sofrimentos psicomorais, até
arrependerem-se sinceramente e clamarem por socorro.
Adentremos... por detrás dessas cortinas brumosas onde os mortais não
alcançam, avistamos um lugar infinito, infinito em sua extensão, em suas cores,
beleza e mistérios. Uma diversidade que faz a exuberante Gaia terrestre parecer
uma deusa acanhada. Mas nem tudo é luz, nem tudo reluz. Zonas sombrias, densas,
pululam aqui e ali, separadas dos planos superiores por poderosas barreiras
vibratórias, energéticas. Os espíritos fulgurantes vão onde querem, ao passo
que os seres opacos rastejam em ambientes pesados condizentes com sua energia
massuda, atraídos pela gravidade de maneira análoga aos encarnados, ao
perambularem pela crosta.
De forma
simplista, poderíamos dividir o plano espiritual em quatro regiões, utilizando
o critério da densidade: regiões infernais, regiões umbralinas, regiões
intermediárias, regiões superiores. Importante pontuar a não existência de um
inferno em si. O caráter infernal relaciona-se às mentes infernais reunidas
naquele espaço, atraídas pelas zonas mais densas.
Numa
dimensão próxima do nosso plano tridimensional, entrevemos várias cidades
espirituais destinadas ao socorro dos recém-desencarnados, lembrando que o
qualificativo espiritual se refere a um tempo-espaço distinto do nosso cuja
matéria e energia se encontram em estados inapreensíveis aos nossos
instrumentos. É curioso imaginar um mundo espiritual com cidades, palácios,
monumentos, montanhas, planícies, vales, lagos, vegetações e criaturas
desconhecidas. Um mundo fervilhante, cheio de atividade, cheio de vida, muito
mais populoso que a Terra física. Mesmo nas zonas umbralinas, encontramos
cidades envoltas em pesadas neblinas, fortalezas, laboratórios, conflitos,
intrigas, maquinações e tantas outras coisas inimagináveis.
Nesse
mundo, as trevas são mais tenebrosas e as luzes, mais brilhantes. O
desligamento do corpo material nos permite ampliar as faculdades intelectuais;
permite a demonstração mais sincera e profunda dos sentimentos. Os laços de
amizade se fortalecem e a percepção das coisas torna-se mais precisa. Descanso
eterno? Longe disso, pois que a ociosidade, irmã do tédio, constituiria um martírio
sem fim. Além do mais, o espírito não experimenta fadigas como o corpo dos encarnados.
Trabalho? Com certeza! O trabalho continua, sob outro ponto de vista, erigido
sobre os pilares da fraternidade universal.
Vida de
borboleta é vida dinâmica. Podemos permanecer séculos nos planos espirituais,
entre uma encarnação e outra. Permaneceremos a eternidade lá, após chegarmos à
perfeição, uma vez que esta é nossa verdadeira pátria. Necessitamos de algo
para fazer, concordam? Nada de entoar cânticos gospel pela eternidade. Os tipos
de atividades são inúmeros, desafiadores, sempre fundados no espírito de
serviço ao próximo. As formas de lazer são igualmente abundantes, desde a
contemplação das infindáveis paisagens da natureza espiritual até o ingresso em
festas regadas a amor e leveza. O mundo dos espíritos dança em incontáveis
ritmos harmoniosos entre si, vibra! Ele nos convida a alçar voo por esses
campos Elíseos de tantas flores, odores e sabores. Saiamos do casulo ainda
encarnados e desfrutemos das maravilhas de Ser Espiritual. Morramos antes da
morte para vivermos em paz eternamente!
sábado, 27 de maio de 2017
Muitas Vidas em um Vida só
Série: Redações
O Livro dos Espíritos
Autor do livro: Allan Kardec
Autor do livro: Allan Kardec
Cap IV: Pluralidade de Existências
Olá galerinha do bem, do mal, do bem bom, mau mau e tudo e tal...
Quantos “eus” habitam em
nós? Quantas vozes disputam nossa atenção, nossa mente? Quantos quereres,
quantos quefazeres? Somos seres contraditórios, feitos de escolhas quais dardos
atirados no escuro de nossas especulações, de nossa perspectiva recortada.
Seriam reflexos de múltiplos corpos, múltiplas famílias, múltiplos lugares,
múltiplas posições sociais, múltiplas encarnações?
O espiritismo versa muito sobre história,
história de longuíssima duração, de inúmeros espaços. Um desafio hercúleo para
qualquer pesquisador que ouse abraçar esse paradigma. O livro dos espíritos nos
remete ao Evangelho: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim
eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos um lugar” [João 14, v. 2]. E o que seria
a casa do Pai senão o próprio Universo, hoje imaginado por alguns como
multiverso.
Nossa humanidade habita um pequeno planeta
rochoso chamado Terra; terceiro de um sistema solar, dentre bilhões de sistemas
solares; periferia da Via Láctea, dentre bilhões de galáxias. Assim, Kardec
indagou se teria Deus criado essa infinidade de planetas e estrelas, apenas
para recrearem nossas vistas. Qual seria a resposta, considerando um Deus de
Suprema Inteligência, Eterno e Todo Poderoso?
Segundo os espíritos, somos seres
migrantes por excelência, nossa pátria, o Universo. Existiria vida por toda
parte, uma solidariedade interplanetária. O passaporte para os diferentes
mundos seria facultado, de acordo ao nosso grau de depuração, assim como do
nível de perfeição do mundo almejado. Espíritos inferiores estariam
interditados de habitar planetas superiores, por questões de harmonia
universal. Contudo, essa interdição jamais seria eterna, dependendo sempre do
desenvolvimento moral e intelectual, a fim de o “visto” ser concedido.
Evidente que, para tudo isso ser possível,
necessitaria incorporar o princípio reencarnacionista. De que outro modo essa depuração
poderia ocorrer? Como solucionar problemas psicológicos graves e complexos, em
apenas uma encarnação? Como ser capaz de amar profundamente a todos, incluindo
atuais desafetos, em apenas 50 ou 100 anos? Amar como Jesus amou, ter a
serenidade de um Mestre Zen, a inteligência de um Einstein, um Machado de
Assis.
Partindo do ponto que encarnamos inúmeras
vezes em diversos mundos, depreende-se daí que, em essência, somos todos
extraterrestres. Nenhum planeta em si é pátria de nenhum espírito. Por isso, um
dos motivos das visitações dos UFOS é simplesmente nossa conexão intrínseca com
eles. Espiritualmente, todos nós irmanados.
Como já foi sinalizado em textos
anteriores, os mundos passam por estágios evolutivos. Os espírito forneceram a
seguinte classificação: mundos primitivos, mundos de provas e expiações, mundos
de regeneração e mundos felizes. Nos primitivos, ocorrem os primeiros ensaios
da vida, os instintos predominam, a animalidade impera; os de provas e
expiações correspondem ao estágio da Terra, com hegemonia egoica; nos de
regeneração, reinam espíritos bondosos, porém ainda imperfeitos; os felizes
seriam os lares dos seres angélicos, o conto de fadas real, o paraíso por
primazia. Quanto a nós, transitamos e transitaremos por todos esses estágios.
Experiência, elemento necessário à
evolução espiritual. Devido a isso, vivenciamos planetas distintos, posições
sociais distintas, corpos distintos, gêneros distintos. “O espírito não possui
sexo” afirmaram os desencarnados.
O
sexo é um caractere psicobiossocial, próprio do mundo material, enquanto plano
dual, no entanto, essa dicotomia sexual permanece, em alguma medida no mundo
espiritual, entre os espíritos imperfeitos. Em termos biológicos, físicos, o
sexo atende aos imperativos da reprodução e conservação das espécies, por conta
da perecibilidade dos corpos físicos. Já em termos espirituais, o sexo atende
aos imperativos da experimentação, da ampliação dos conhecimentos, dos
horizontes. Antes de tudo, o sexo corresponde a frequências energéticas
mentais∕emocionais. Vivemos a dualidade sexual com o objetivo de superá-la,
equilibrá-la. Feminino e Masculino, Yin e Yang, constituem dois polos
vibratórios, igualmente importantes. A importância é dada na medida do
equilíbrio∕desequilíbrio desses polos, pois tudo em Natureza tende ao
equilíbrio, fato fundamental, em nossa caminhada evolutiva. Falando de outro
modo, encarnamos corpos masculinos e femininos, guardando impressões
psicológicas de ambos até alcançarmos a perfeita estabilidade da balança.
Enquanto essa estabilidade não for alcançada, um dos polos dominará nossa
personalidade. Quanto às cores e “raças”, bem, se espíritos não têm sexo, muito
menos terão raças ou cores, aliás, sendo o períspirito um corpo extremamente “plástico”,
pode o espírito (superior principalmente) apresentar-se com a cor e forma que
desejar.
Muitos opositores da reencarnação a consideraram
uma doutrina profana por, supostamente, destruir os laços de família. Ora,
ocorre justamente o oposto. A reencarnação amplia ao infinito os laços de
família, de amizade. Condizente com as ideias de Jesus nas quais todos
figuravam como irmãos, para além de laços sanguíneos. Porque os verdadeiros
laços, fundados no amor e não no sangue, são espirituais. A reencarnação nos
exorta a nos tornarmos uma grande família universal, confundindo hierarquias e
preconceitos mundanos.
domingo, 14 de maio de 2017
Laços Umbilicais
Autor:
Mg Amaral
Olá galerinha que nasceu de um útero quentinho. Conseguem sentir o calor ainda? Um beijo, um sorriso, um abraço, uma lágrima, um colo...
Deus é Amor? Mãe é Amar! Por ser o amor a
expressão do cuidado, do carinho, do afeto. Esse afeto nos afeta tantas vezes e
tão profundamente, tão uterinamente. Gestado por nove meses, multiplicado por duas
vidas inteirinhas nas cavidades uterinas do coração, porquanto é nesse órgão
central que foi plantada a semente divina. Embrião luminoso do mais poderoso
dos cordões umbilicais. Laço indestrutível, ligando a Mãe ao-feto: Afeto. Afeto
com letra maiúscula se traduz: Amor. Uma conexão permitindo o fluir da Suprema
Luz. Um fulgor expandindo-se por cada pedacinho do corpo, dos corpos, ampliando
mentes e corações às fronteiras do infinito, do eterno.
Mãe é um estado de espírito. Estado permanente
de uma flor imperecível, de beleza e perfume indescritíveis. Mãe é a encarnação
do objetivo humano, um vislumbre de nossa própria divindade. Mãe é a conquista
de quem aprendeu a doação, integral, irrestrita. Mãe é a mais bela das metamorfoses
cuja principal barriga, localiza-se no centro do peito e cujo crescimento dar-se
indefinidamente. Amor de Mãe, o mais próximo do Amor de Cristo. Não um objetivo
inalcançável, mas um exemplo de sua possibilidade, de seus inigualáveis frutos.
Reconhecerão as árvores pelos seus frutos dizia Jesus, então Deus, sem dúvida,
muito antes de ser Pai, é Mãe.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
A Crisálida
Autor:
Mg Amaral
O
Livro dos Espíritos
Parte
Segunda: Capítulo III: Da volta do espírito, extinta a vida corpórea à vida
espiritual
Olá,
galerinha que se arrasta ou voa por aí...
Dizem que ninguém nunca retornou do lado
de lá, para contar a história. Ora, foi precisamente o que fizeram os espíritos,
ao ditarem seu livro. Vieram, vêm e continuarão vindo por isto estar na ordem
natural das coisas. Contaram a inspiradora história de incontáveis lagartas metamorfoseando-se em
belas borboletas. Corpos grosseiros, arrastando-se pela Terra, a fim de
ganharem os céus espirituais. As provas pululam aqui e ali, mas somente, se
tivermos olhos pra ver; se não houver orgulho a nos embotar. Vaidade, vaidade,
tudo é vaidade, já advertia o Eclesiastes. Vaidade de estar certo, vaidade em
não admitir enganos. Porém, diante da morte, qualquer vaidade é vã. Após a
morte, nossas tolices ficam escancaradas, enquanto aqueles cultivadores do
espírito durante a vida na Terra podem abrir sincero sorriso, ao vislumbrarem
as belezas do mundo eterno. Morte é sinônimo de fim. Não morremos. Morre o
corpo. Desencarnamos.
A crisálida foi aberta. Os laços que
nos prendiam à matéria, pouco a pouco se desatam, tais quais botões de uma
roupa velha. Um sono profundo, um despertar. Tateamos atordoados nesse
admirável mundo sem fim. Duas sortes se distinguem. A sorte dos egoístas,
materialistas, grosseiros e desequilibrados revela-se tão mais perturbadora
quanto mais desequilibrada tiver sido sua existência terrena. Uma duradoura
confusão mental se instala, podendo permanecer por décadas a fio. Cada um
segundo suas obras ou segundo a falta delas. Os mais apegados ao corpo podem
até mesmo assistir ao horrendo espetáculo da própria decomposição, além de
sentirem os efeitos desta, devido à forte ligação estabelecida. Esses
sofrimentos são sempre de ordem psicológica e decorrem das reminiscências
terrenas impressas no perispírito, contudo em nada devem aos sofrimentos
físicos. Podem incluir também, sensação de fome, sede e frio. Já a sorte dos
seguidores do amor desenrola-se tranquilamente. Amigos e mentores espirituais
correm em seu auxílio, o estado de confusão mental dura apenas algumas horas,
semelhante a um paciente recuperando-se de uma anestesia geral. Em seguida, um
mundo fantasticamente indescritível descortina-se. Aurora!
quinta-feira, 11 de maio de 2017
O Precursor espiritual do evolucionismo
O Livro dos Espíritos
Autor do livro: Allan Kardec
Autor do livro: Allan Kardec
Parte Segunda: Capítulo II: Da Encarnação dos
Espíritos
Olá galerinha do mal que ficou do bem, hoje o assunto é evolução. Evoluímos?
24 de novembro de 1859, Charles Darwin, o
naturalista britânico, publica “On Origin of Species” (A Origem das Espécies),
causando uma verdadeira revolução paradigmática que ecoaria até os dias de
hoje. Imaginemos a afronta representada por esta obra à já ferida Igreja Católica
e por que não dizer, também, às Igrejas Protestantes. Em outros tempos, certas
chamas poderiam tê-lo atingido, no entanto, não pouparam, em 1861, a queima de
300 livros espíritas, numa cena dantesca, protagonizada pelo bispo de
Barcelona. Essa foi, literalmente, a primeira prova de fogo do espiritismo,
quatro anos posteriores à publicação do “Livro dos Espíritos”, em 18 de abril
de 1857! Sim, este livro espiritista antecedeu em dois anos “A Origem das
Espécies”, logo suas ideias não poderiam ser atribuídas ao pai do
evolucionismo. Segundo os espíritos, as ideias pairam na psicosfera (atmosfera
psíquica emanada pelas mentes), irradiam-se e manifestam-se, nos mais
diferentes lugares, de acordo com as capacidades de cada encarnado. A revolução
industrial assim como a invenção do avião parecem corroborar essa tese.
É no mínimo intrigante a concepção de um
universo em constante evolução, universo multidimensional, planetas passando
por estágios evolutivos, sem esquecer todas as criaturas vivas encadeadas numa
sucessão de patamares inumeráveis, perpassando dimensões materiais e espirituais,
sendo os espíritos humanos angélicos, o estágio supremo, apenas abaixo do Ser
Criador. Todos os seres interconectados, em perfeita harmonia, sob caos
aparente. Uma cadeia evolutiva ininterrupta, uma complexa rede de relações,
vinculando a mais simples molécula aos complexos seres espirituais,
multidimensionais. Sim, nossos corpos humanos vibram em múltiplas dimensões,
das quais temos consciência, somente, da mais material. Universo mais dinâmico,
mais mutante difícil de conceber. São ideias assustadoras até mesmo para um
revolucionário como Darwin. Sem embargo, foram veiculadas antes do impacto de A
Origem das Espécies e tiveram seu impacto próprio, mesmo sendo associadas pelos
seus detratores a um obscurantismo supersticioso.
A reencarnação figura no espiritismo
como uma necessidade, uma misericórdia divina, uma prova da Justiça, uma
solução racional para um sem número de questões filosófico-morais e mesmo biofísico-espirituais.
Uma resposta às grandes questões existenciais. Mérito e liberdade são suas
palavras-chaves. Não há progresso sem trabalho, dizem eles. Não há mérito sem
esforço, não há conquista efetiva. Deus nos teria criado espíritos simples e
ignorantes, a fim de tornar a felicidade eterna uma conquista nossa, não uma
simples dádiva de eleitos. Deus nos elege na medida de nossos esforços. Do
mesmo modo, o Ser Supremo não quis criar robôs automatizados, já “perfeitos”,
seguidores incontestes de Suas ordens. Ele não é tirano, por isso nos concedeu
o livre-arbítrio, a possibilidade de desobedecê-Lo. Contudo, criou Leis Eternas
e inexoráveis, estas sim, perfeitas desde sempre, reguladoras do Universo. A
Vontade divina para conosco resume-se numa palavra: FELICIDADE. Para tanto, as
leis celestes nos impedem de permanecermos indefinidamente estacionários,
rebeldes e nos impelem ao progresso cedo ou tarde. Por isso, o sofrimento
representa a principal advertência divina sobre nossas imperfeições, nossos
desequilíbrios, nossa necessidade de ajuda, de melhorar.
Uma vida já eterna. Muitas vidas numa
vida só. Eis o resumo das sucessões de encarnações. O elemento espiritual
preexistente é imperecível, daí decorre a imortalidade do espírito, desde sua
criação. A felicidade eterna, uma conquista inevitável, objetivo supremo das
encarnações. Cabe ao espírito ser perfeito em tudo, para gozar plenamente a
felicidade, acumular saber em todas as áreas do conhecimento, incluindo áreas
desconhecidas da humanidade terrestre. Todavia, somos tão livres quanto
falíveis e essa falibilidade pode manifestar-se desde pequenos incidentes até
grandes atrocidades. Ainda assim seria realmente justa uma pena eterna? Eterna!
Temos noção do que seja eternidade, do que seja um suplício eterno? Soa
coerente com a ideia de um Deus de Amor? Soa coerente com o exemplo dado pelo
maior representante de Deus? Aquele que perdoou seus torturadores?! Ver alguém
sendo torturado já é bastante desagradável, pra dizer o mínimo. Imaginemos um
Deus Onipresente, assistindo eternamente essa cena com bilhões de filhos
seus... Nem o marquês de Sade seria tão sádico. Isso sem contar a incoerência
da Onisciência, porque teria criado seres destinados ao suplício. Essas
reflexões encontram-se todas no livro dos espíritos e em outras obras do
chamado pentateuco espírita.
Em qual escala estariam os humanos
terrestres na classificação dos espíritos? Numa escala bem baixa, eles afirmam.
A Terra estaria na classe dos planetas inferiores, lembrando que os critérios
são predominantemente espirituais e não devem ser confundidos com as ideias de superioridade
e inferioridade do senso comum. Basicamente eles avaliam a amorosidade e a
intelectualidade de uma dada sociedade ou indivíduo, dispondo para isso de
meios muito mais eficazes que nós, encarnados. Não seria difícil perceber a
discrepância entre a evolução moral (moral evangélica, “crística” nesse caso) e
a evolução intelectual na Terra, predominando a segunda em detrimento da
primeira. Avançando no sentido das concepções católicas, o termo “anjo”, no
espiritismo, refere-se aos espíritos puros, evoluídos, enquanto os demônios
seriam espíritos impuros ou imperfeitos, haja vista não existir, na perspectiva
espiritista, espaço para criações sectárias na Natureza, criações não
vinculadas ao Todo, criaturas especiais já perfeitas ou, para sempre, más. Dito
de outro modo, todo anjo já foi demônio (imperfeito) e todos são espíritos como
nós. Os humanos terrestres que não existem de toda eternidade, ao entrarem em
contato com espíritos angélicos acreditaram que estes eram assim desde sempre,
da mesma maneira julgaram os espíritos impuros cujas maldades podem remontar
milênios. Deus cria e criou sempre, por isso, por mais que recuemos no tempo,
encontraremos uma infinidade de criaturas, planetas e espíritos perfeitos ou
imperfeitos. Isso desafia as limitações da mente humana, mas eles declaram que
assim é.
A ciência do século XIX não havia dito a
última palavra sobre os segredos e horizontes da Natureza, nem poderia, da
mesma forma que nossa ciência cibernética reconhece uma infinidade de perguntas
não respondidas ou mal respondidas. Os espíritos nos admoestaram nesse sentido
e suas observações continuam valendo. Não deveríamos preencher lacunas de
ignorância com devaneios e leviandades, antes, devemos nos focar em estudos
criteriosos. Kardec teria assinado essa última frase para aqueles que veem no
espiritismo mero devaneio de pessoas ignorantes, crédulas, incapazes de encarar
o vazio da matéria. O vazio da matéria não poderia ser mais irônico. Cada vez
mais a matéria se apresenta como grandes espaços “vazios” ou campos energéticos
difíceis de compreender. O que há além da matéria? Existe algo além, na própria
matéria? Antimatéria, matéria escura, energia escura e tantos outros elementos
estranhos não param de assombrar os cientistas que resistem bravamente, no seu
materialismo inveterado.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Os filhos de Deus
O Livro dos Espíritos
Autor do livro: Allan Kardec
Autor do livro: Allan Kardec
Parte Segunda: Capítulo I: Dos Espíritos
Olá galerinha do bem, do além, do umbral e do astral... alto astral, por favor!
Quem, neste mundo, não conhece uma boa história ou estória de assombração, de fantasmas? Quantos “causos” ou mesmo casos pessoais, envolvendo vultos, visões, vozes, batidas, encontros realistas em sonhos, ao vivo e muito mais? Inúmeros, não é? Até o mais cético, na pior das hipóteses, conhece alguém experimentado nesses assuntos. Neste quesito, os espíritos são tão democráticos quanto versáteis. Essas histórias atravessam todos os continentes, todas as culturas, todas as línguas, todos os tempos, ainda que os nomes variem bastante aqui e ali. Bateu um medinho? Então coragem! O desconhecido sempre foi fonte inesgotável de medo, todavia jamais foi páreo para mentes curiosas e/ou cheias de fé! Se algumas testemunhas bastam para condenar um réu, então deveríamos, ao menos, ponderar sobre os incalculáveis testemunhos de todos os tempos e parar de taxar as pessoas que contradizem nossos paradigmas cristalizados como loucas, supersticiosas ou ignorantes!
Mais que irmãos em Cristo, somos, primeiro, irmãos em Deus. Irmãos em Cristo contam-se poucos na Terra, poucos irmanados na prática do Amor Universal. Entretanto, a fraternidade oriunda do Criador é absoluta, abarca todas as criaturas do universo, especialmente, os seres inteligentes. E quem são eles? Espíritos. Espíritos? Sim, espíritos como nós, a individualização do princípio inteligente. Segundo eles, o momento de sua criação é um mistério, até mesmo para os perfeitos que recuperaram completamente a memória de suas incontáveis existências. Sobre sua filiação, porém, não pairam dúvidas: somos filhos de Deus. Deus Pai, Deus Mãe! Mãe, sim! Vençamos as dicotomias sexuais humanas as quais, de modo algum, podem ser atribuídas aos espíritos, muito menos, ao Ser Supremo. O Ser que sempre existiu e existirá, que sempre criou e criará. Não poderíamos imaginar a(o) Grande Arquiteta(o) ociosa(o), nem por um segundo, assim nos ensinaram os espíritos.
O espírito é uma entidade individual, corpórea, tangível. Ele pode ser entendido como a essência inteligente, o núcleo por trás de todos os envoltórios ou, simplesmente, a entidade dotada de um corpo espiritual, denominado perispírito (uma analogia ao perisperma das frutas). A casca simbolizaria o corpo físico, o perisperma; o corpo espiritual e a semente, o espírito em si. A tangibilidade e outras materializações advêm do grau e do tipo de mediunidade, para se efetivarem. Mas, quanto às relações entre desencarnados, elas se dão naturalmente. Em se tratando da natureza desse corpo espiritual, ela se origina no tão falado fluído cósmico universal, sendo mais ou menos etéreo, a depender do grau de elevação do planeta e do próprio indivíduo. Sim, os planetas também passam por estágios evolutivos, enquanto eterizam seus elementos e purgam as energias deletérias, orientados pelos seres superiores, ministros de Deus. Mas, por hora, nos deteremos nos espíritos.
Classificar e inventariar foram considerados primeiros atos da intelectualidade humana encarnada, na inventiva civilização suméria. Lembrando que os sistemas existem a fim de facilitarem nosso entendimento e não para nos escravizarem, para nos engessarem, passarei, então, a enumerar a classificação preferida pelos espíritos autores e organizadores do livro: Espíritos Puros, Bons e Impuros. Eles admitem, a grosso modo, essas três grandes categorias principais, reforçando a possibilidade de inúmeras formas classificatórias, de acordo com os critérios utilizados. Os impuros seriam aqueles em que o desejo do mal predomina, o ego domina, as paixões controlam; os bons, em que já predomina o desejo de fazer o bem, o amor ao próximo, no entanto, neles, ainda existem características para serem aprimoradas; os puros, seriam os perfeitos, os que dispensam reencarnação, os mais próximos de Deus(a), porém inferiores a Ela/Ele, pelo Ser Supremo Ser apenas UM(A).
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